terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

2010 será ainda pior para exportadores

Para entidade, superavit comercial deve cair de US$ 25,3 bilhões para US$ 8 bilhões e rentabilidade das vendas vai diminuir

No ano passado, houve retração de 10,7% no volume exportado e recuo de 13,4% nos preços dos produtos, aponta Funcex

Afetados pelo câmbio, os exportadores viram a rentabilidade de suas vendas ao exterior cair com força, embarcaram um volume menor de produtos e conviveram com preços deprimidos em 2009. O pior é que esse cenário tende a se agravar em 2010, quando o saldo comercial deve ceder dos US$ 25,3 bilhões verificados no ano passado para US$ 8 bilhões, segundo cálculos da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).

Com a queda do dólar diante do real, a rentabilidade das exportações caiu 19,6% no ano passado. É que os exportadores, principalmente de manufaturados, têm seus custos atrelados ao real, mas recebem menos dólares por seus produtos vendidos ao exterior com a desvalorização da moeda.

"Não existe espaço para mudança da taxa de câmbio, e a tendência é que a perda de rentabilidade se agrave porque agora os preços das commodities começaram a cair também", afirma José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).

Castro prevê que, diante da retomada forte da economia neste ano -com crescimento estimado do PIB em torno de 5%- e da manutenção de um câmbio desfavorável, muitas empresas vão deixar de exportar e focar sua atuação no mercado doméstico.

Tal movimento, afirma, já ocorreu em 2009 -quando preços e quantidades exportadas despencaram- e tende a se intensificar neste ano.

De acordo com a Funcex, houve retração do volume exportado -de 10,7%- e recuo dos preços dos produtos -de 13,4%, em média. Somados, esses dois fatores provocaram a queda de 23% das exportações no ano passado, diz a fundação em seu boletim.

"Hoje, já não compensa mais exportar em muitos setores. É mais rentável vender no Brasil, principalmente para ramos intensivos em mão de obra, como móveis, vestuário e calçados."

Segundo Castro, o país importará mais neste ano graças ao aumento rápido do consumo, atendido parcialmente pelo mercado externo -ainda mais num cenário de câmbio favorável às importações.

Pelas estimativas da Funcex, as importações vão subir 20%, num ritmo maior do que a expansão das exportações -de apenas 8,5%.

Castro diz que o saldo no ano passado só não foi menor porque a economia brasileira se contraiu e demandou menos produtos do exterior -as importações recuaram 26,3%, com mais intensidade do que as exportações.

Agora, diz, a situação se inverteu e haverá um processo mais forte de troca de insumos e produtos nacionais por importados.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, declara que o "problema central do exportador brasileiro é o câmbio" e cobra uma atuação "ativa e inteligente" do Banco Central para conter a especulação no mercado e a sobrevalorização da moeda brasileira.

"O setor exportador vive uma grave e aguda crise, e o governo parece não perceber que temos um problema estrutural sério. Vamos voltar a uma indesejável situação de elevados deficit em conta-corrente em pouco tempo se o saldo comercial continuar a cair."

 Exportações de manufaturados serão mais afetadas, diz AEB

Mais otimista, a AEB (Associação Brasileira de Comércio Exterior) prevê saldo comercial de US$ 12 bilhões no ano, projeção superior à da Funcex.

José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB, disse, porém, que, se tivesse feito a estimativa em fevereiro, o número seria menor, já que o preço das commodities está em queda.

Castro afirmou que os setores mais afetados neste ano serão os manufaturados, apesar da queda das commodities. No ano passado, tal cenário já havia se configurado: os ramos que perderam mais exportações, em volume, foram outros equipamentos de transporte (avião é o principal produto) e veículos automotores, de acordo com a Funcex. Já os que tiveram as maiores quedas de preço foram extração de petróleo e combustíveis.

Para Castro, as exportações dependem fundamentalmente da reação mais firme da economia global -posta em dúvida com a crise na Grécia e a perspectiva de alta dos juros nos EUA. Já as importações crescerão baseadas nos estímulos ao consumo interno, como o aumento real do salário mínimo.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, diz que a "combinação perversa" de valorização do real e o "dumping cambial" da China eliminou a competitividade de vários setores.

O diretor se refere à desvalorização artificial da moeda chinesa, que cria uma vantagem competitiva. Em alguns casos, os produtos são de 40% a 50% mais baratos do que os brasileiros. Entre os ramos mais afetados estão eletroeletrônicos, calçados, móveis e cerâmicas.

(aspas)

Por :  Pedro Soares, da Sucursal do Rio, Fonte: Folha de S.Paulo, 21/10/2010

Joel Martins da Silva

Gerente

Custom Comércio Internacional Ltda.

www.custom.com.br

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