terça-feira, 18 de maio de 2010

Monsanto já importa matéria-prima para o glifosato

 

A Monsanto começou a colocar em prática algo que até agora era apenas uma ameaça. Desembarcam hoje, no porto de Santos, 300 toneladas de matéria-prima para a produção do glifosato - que é o princípio ativo do herbicida Roundup - , importadas pela filial brasileira da unidade da multinacional em Luling, nos Estados Unidos.

O volume adquirido representa 4% da produção da planta que a Monsanto tem em Camaçari (BA), que ficou em xeque com as mudanças feitas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, na tarifa antidumping imposta ao glifosato chinês. O produto sairá de Santos com destino a São José dos Campos (SP), onde será formulado e serão produzidos 600 mil litros de herbicida.

"Nós acreditávamos que o processo da tarifa antidumping seria resolvido antes de precisar importar, porém, como não foi, vamos ter que nos ajustar. É um volume pequeno, mas vai servir para ver como ficam os processos industriais", disse Ricardo Madureira, diretor-geral de proteção de cultivos da Monsanto para América do Sul.

Com a medida pode ter início um processo de substituição de pelo menos parte da produção de matéria-prima da empresa, centralizada em Camaçari. A filial brasileira da Monsanto ainda não definiu se manterá a estratégia de importar o Ácido Fosfonometil Iminodiacético (PIA) - matéria-prima para o glifosato - para fazer a formulação em São José dos Campos, ou mesmo se suspenderá a produção da matéria-prima na Bahia. "Não existe um ""deadline"" para essa decisão. Esperamos por uma solução para esse assunto na próxima reunião da Camex", afirmou Madureira.

Ainda que o futuro da produção em Camaçari esteja indefinido, o executivo não descartou a possibilidade de a própria Monsanto começar a importar a matéria-prima da China. Segundo ele, em uma "situação extrema" como o fechamento da unidade da Bahia - única a produzir a matéria-prima no país -, o Brasil geraria uma demanda grande, que seria atendida em parte pela planta de Luling e parte importada dos chineses.

O primeiro pedido para revisão da tarifa antidumping foi protocolado junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em outubro do ano passado. Um novo pedido foi feito em março deste ano, mas até o momento o governo tem adiado a tomada de uma medida definitiva sobre o assunto. O que se discute no governo é substituir a tarifa de 2,1% existente sobre o glifosato chinês por um preço mínimo de referência de US$ 3,60 por quilo.

(aspas)

Fonte : Jornal “Valor Econômico” edição de 11/05/2010

Nenhum comentário: