terça-feira, 7 de julho de 2009

BNDES pune fabricante de máquinas por fraude

O BNDES retirou ontem do cadastro de fornecedores de bens de capital da Finame a Indústrias Nardini, apurou o Valor. Uma das líderes do segmento de máquinas-ferramenta do país, a empresa foi punida pelo banco com o descredenciamento por importar fresadoras e outras máquinas de Taiwan e China, vendendo-as no mercado doméstico com plaqueta "made in Brazil".

O presidente e proprietário da Nardini, Renato Franchi, negou o fato. "Eu estou esperando a notificação do banco para tomar as providências, eles [o banco] vão ter que provar e mostrar isto, pois nunca importei uma máquina de Taiwan. Com mais de mil funcionários iria importar máquinas para quê? Só se eu fosse louco", disse.

O descredenciamento da Nardini, uma das líderes do setor de máquinas-ferramenta do país, é a primeira medida exemplar para empresas que vêm cometendo este tipo de fraude contra um setor estratégico da economia brasileira, que é o de bens de capital, avaliam fontes oficiais. Para estes interlocutores, não faz sentido o banco lançar um programa de incentivo ao setor e a Finame financiar máquina importada. Atualmente, as importações chinesas já respondem por 10% do mercado de máquinas e equipamentos importados, avaliou fonte do setor.

Para coibir fraudes e defender a indústria brasileira de máquinas, o governo prepara uma ofensiva de fiscalização para combater este tipo de crime. As companhias envolvidas podem receber punições que vão desde a retirada de seus nomes do cadastro do BNDES (o que barra a concessão de novos empréstimos pela instituição), a multas por fraude à Receita e até abertura de processos criminais.

O BNDES está atuando ativamente contra as práticas fraudulentas de empresas desde que começou a receber denúncias no fim do ano passado. O banco foi informado sobre o envolvimento da Nardini em dezembro e passou a investigar o fato através de sua equipe de credenciamento de cadastro da Finame. Os técnicos fizeram várias visitas à fábrica da empresa em Americana (SP) até comprovar o fato. Um farto dossiê comprovando a fraude foi enviado à direção do banco, que em reunião realizada ontem optou pelo descredenciamento da Nardini.

Neste momento, o BNDES está rastreando mais seis empresas, todas do setor de máquinas-ferramenta, envolvidas no que está sendo denominado nos corredores da instituição de "operação China". Os técnicos do banco estão "mapeando" estas companhias, que constam do cadastro de fornecedores da Finame. A intenção é levar o assunto ao Ministério Público.

O cadastro de fornecedores de bens de capital da Finame, espécie de agência de desenvolvimento do BNDES, reúne 12 mil empresas e 270 mil produtos do setor de máquinas e equipamentos. Estes bens de capital têm a venda financiada pelo banco através da rede de agentes financeiros. Os critérios para as candidatas ao cadastramento não levam em conta a origem do capital, mas as companhias têm que se comprometer a fabricar máquinas com índice de nacionalização de até 60%.

A Nardini era uma das mais antigas do cadastro. Com fábrica em Americana, a empresa - cuja família já deu até um presidente ao BNDES, Bruno Nardini, que assumiu o cargo durante o mandato presidencial de José Sarney - fabrica tornos universais, fresadoras de médio e grande porte, dentre outros bens. Em 2007, segundo Franchi, faturou R$ 200 milhões. Ele disse ao Valor que a empresa importa apenas comandos eletrônicos, não fabricados no Brasil, da Alemanha, Japão e Espanha. "Em Taiwan não existem fabricantes de comando", informou, ao negar as denúncias, que acredita podem ser alvo de "perseguição", já que Bruno Nardini "deixou muitos inimigos no banco".

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, Jair dos Santos, disse ao Valor que a entidade tem recebido denúncias anônimas desde o ano passado sobre a prática da Nardini de importar equipamentos da Ásia e comercializá-los como se fossem produzidos no país. "São equipamentos como tornos convencionais, CNC [com comandos numéricos] e furadeiras", disse Santos.

De acordo com ele, as divergências entre o sindicato e a Nardini são uma constante. "É uma empresa muito complicada", declarou. (Colaboraram Claudia Safatle, de Brasília, e Guilherme Manechini, de São Paulo)

Fonte: Valor Econômico

Um comentário:

Anônimo disse...

FUI CONHECER UMA MOTONIVELADORA "NACIONAL" VOLVO COMPRADA AQUI PELA PREFEITURA PELO PROVIAS.

NEM A PLAQUINHA ELES TROCARAM...NÃO LEMBRO SE ERA MADE IN SWEEDEN OU MADE IN GERMANY...

ALGUEM TEM QUE FAZER ALGUMA COISA... CADE O NOSSO EMPREGO ???