quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Saiba por que o mesmo produto é mais caro no Brasil que no exterior

Um levantamento comparou os preços dos mesmos produtos no Brasil e em outros países. O resultado: aqui se paga sempre mais caro.

Para economizar, a primeira regra é pesquisar os preços. O problema é quando não dá para comprar fora do país.

Para quem gosta de jogos eletrônicos, um dos sonhos de consumo é o Playstation 3, que não é barato. O videogame custa em uma loja R$ 1.400. O mesmo Playstation 3, nos Estados Unidos, onde é muito procurado por turistas brasileiros custa US$ 299 mais US$ 27 de imposto.

Ao todo, saí pelo equivalente a R$ 571, praticamente um terço do preço encontrado no Brasil. Em Buenos Aires, o sonho de consumo de crianças e jovens argentinos custa, já incluídos os impostos, 2.699 pesos, o equivalente a R$ 1.261.

Mas videogames não são os únicos com uma grande diferença de valor. Um dos perfumes mais vendidos no mundo, francês, custa no Brasil até R$ 355. Nos Estados Unidos e na Argentina, ele sai pela metade do valor

Um levantamento do Instituto de Planejamento Tributário compara o preço do mesmo produto em países diferentes. A conclusão é que o consumidor brasileiro paga sempre mais caro.

Notebooks idênticos custam o equivalente a R$ 1.200 nos Estados Unidos e R$ 1.800 na Argentina. No Brasil, R$ 2.500, quase um quarto deste valor é imposto. A diferença também é grande no MP3 player e nele o peso do imposto é ainda maior.

Uma geladeira, que custa pouco mais de R$ 900 na Argentina e Estados Unidos, no Brasil sai por R$ 1.600. Até em uma simples camisa, a carga tributária eleva o preço: é quase o dobro.

"Claro que não é apenas a tributação que justifica, mas no Brasil a gente tem um alto custo para produção, mesmo quando a gente vê produtos fabricados aqui. Eles têm um alto custo de produção, isso em termos de mão-de-obra e em termos de matéria-prima também", afirma a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Letícia do Amaral.

A especialista diz que a solução é uma redução gradual dos impostos para não provocar um forte impacto na economia.

"É que o governo poderia continuar arrecadando, mas com uma redução da carga tributária efetiva sobre cada produto. Então, ele diminui o preço dos produtos e aumenta o consumo, investimentos. Então ele vai continuar arrecadando", conclui.

(aspas)

Por : Walace Lara / Jorge Pontual / Carlos De Lannoy São Paulo, SP / Nova York, EUA / Buenos Aires, Argentina, para o Portal G1, 20/08/2010

Porto sem Papel reduzirá desembaraço de carga em três dias

O ministro da Secretaria de Portos, Pedro Brito, garantiu a diminuição do tempo médio de desembaraço de cargas em 55% nos próximos dois anos. A projeção, divulgada nesta quarta-feira (18) durante o 1º Seminário Portuário Público-Privado Latino-Americano, realizado em Brasília (DF), foi destaque durante o discurso proferido a representantes portuários e empresários de transporte aquaviário.

 

O menor tempo de desembaraço figura como foco dos trabalhos atuais da Secretaria de Portos da Presidência da República. De acordo com Pedro Brito, o quesito foi o único que apresentou decrescimento no índice de performance logística realizado pelo Banco Mundial com 150 países. “Vamos reduzir o tempo médio para 2,5 dias. Um tempo cabível a uma economia tão relevante quanto a do nosso país. Só assim poderemos chegar ao posto de quinta economia do mundo nos próximos 15 anos”, associou o ministro.

 

Entre as medidas para atingir a meta, o ministro de Portos destacou o Porto sem Papel, projeto que visa desburocratizar a entrada e saída de embarcações nos terminais brasileiros com um sistema de dados integrado. Os primeiros testes terão início em 15 dias, nos portos de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (SP).

 

Também estiveram presentes na abertura o vice-presidente da CNT, Meton Soares; o diretor-geral da Antaq, Fernando Antônio Brito Fialho; e o presidente do Comitê Executivo da Latinports, Richard Klien.

 

Plano Diretor

 

De acordo com o ministro da Secretaria de Portos da Presidência da República, o governo contratou uma equipe para elaborar um Plano Diretor específico para cada um dos 12 portos estratégicos brasileiros. O grupo conta com especialistas de Roterdã (Holanda) e profissionais da Universidade Federal de Santa Catarina e pretende traçar um planejamento de investimentos e ações para os próximos 20 anos.

 

Segundo Brito, os planos procuram atender o crescimento da demanda e orientar os investimentos privados. “São portos que, pelo tamanho e importância econômica, precisam de previsões de longo prazo e uma política ordenada de investimentos federais”, afirmou.

 

Também fazem parte do projeto os portos de Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Itaqui (PA), Vila do Conde (PA), Santarém (PA), Pecém (CE), Suape (PB), Aratu (BA) e Itajaí (SC).

(aspas)

 

Por : Marina Severino, para o Portal CNT – (Confederação Nacional do Transporte), 18/08/2010

 

Importações crescem 45% enquanto vendas externas avançam 28%

 

 

SÃO PAULO - O Ministério do Desenvolvimento anunciou que no acumulado de janeiro à terceira semana de agosto deste ano, as importações foram de US$ 108,560 bilhões, com média diária de US$ 678,5 milhões. O valor é 45% acima da média registrada no mesmo período de 2009 (US$ 467,8 milhões).

 

As vendas ao exterior, por sua vez, somaram US$ 120,027 bilhões (média diária de US$ 750,2 milhões). Na comparação com a média diária do mesmo período de 2009 (US$ 585,6 milhões), as exportações cresceram 28,1%.

 

O superávit da balança comercial no ano chegou a US$ 11,467 bilhões, com média diária de US$ 71,7 milhões. Por esse critério, o número ficou 39,2% abaixo da média registrada no mesmo período do ano passado (US$ 117,8 milhões). A corrente de comércio no mesmo período totalizou US$ 228,587 bilhões (média diária de US$ 1,428 bilhão). Pela média, o valor foi 35,6% maior que o aferido no mesmo período de 2009 (US$ 1,053 bilhão).

 

Na terceira semana de agosto, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 864 milhões, com média diária de US$ 172,8 milhões. A corrente de comércio totalizou US$ 8,436 bilhões, com média diária de US$ 1,687 bilhão.

 

As exportações, no período, foram de US$ 4,650 bilhões, com média diária de US$ 930 milhões, valor 9,2% superior à média de US$ 851,7 milhões acumulada até a segunda semana. O aumento se deve a expansão das vendas de produtos básicos (24,7%); semimanufaturados (8,6%) e queda de 11,2% nos manufaturados.

 

As importações, na terceira semana de agosto, chegaram a US$ 3,786 bilhões, com média diária de US$ 757,2 milhões. Houve acréscimo de 5,9%, na comparação da média da terceira semana com a média até a segunda semana de agosto (US$ 714,7 milhões).

 

No mês, as exportações totalizaram US$ 13,167 bilhões. Na comparação pela média diária, o valor é 9,3% superior à média que foi registrada em julho deste ano. A média também está 33,2% acima da que foi aferida em agosto do ano passado (US$ 659,1 milhões). As importações, no acumulado mensal, foram de US$ 10,933 bilhões. Pela média diária, o número é superior em 41,9% ao aferido em agosto de 2009. Já na comparação com a média diária de julho de 2010, houve queda de 1,7%.

 

A corrente de comércio alcançou US$ 24,1 bilhões e o saldo foi superavitário em US$ 2,234 bilhões, alta de 141,5% na comparação com o mês passado e aumentou 2,4% em relação a agosto de 2009.

(aspas)

Por : Karina Nappi, para o Jornal DCI, 24/08/2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Camex inclui novos itens na lista de exceções do Mercosul

 

 

São paulo - O conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou ontem a inclusão de cinco novos itens na Lista Brasileira de Exceções à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul. Entre os setores beneficiados está a indústria de brinquedos, uma vez que a alíquota de importação de peças e componentes para a fabricação de bonecos e demais produtos foi reduzida de 20% para 2%. "A medida foi tomada para revigorar o setor e para fazer frente à importação dessas mercadorias acabadas da Ásia", afirmou o secretário executivo da Camex, Helder Chaves.

 

Também foi aprovada a redução de 16% para 2% a alíquota de importação de simuladores de operações de perfuração e exploração de petróleo, para viabilizar a construção de um Centro de Treinamento em Rio das Ostras/RJpara formação de técnicos.

 

Além disso, para proteger a indústria doméstica, a Camex elevou de 14% para 28% a alíquota de uma mistura de isômeros utilizada na fabricação de espumas para estofados de automóveis e de zero para 14% a tarifa de importação de máquinas separadoras de ovos.

 

O colegiado também decidiu prorrogar até 30 de setembro a redução de 10% para 2% da alíquota de importação de sardinhas. Chaves afirma que, na semana que vem, a Camex deve aprovar a retirada da sobretaxa imposta à importação de cimentos mexicanos e venezuelanos por uma medida antidumping, mas apenas para a compra em estados da Região Norte. "A medida será tomada devido aos altos preços praticados na região", disse o secretário executivo.

(aspas)

Fonte : Jornal “DCI”, 18/08/2010

Câmara de Comércio Exterior aprova resolução para combater casos de triangulação

A Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião realizada nesta terça-feira (17/8) no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), aprovou a resolução anticircumvention que disciplina a Lei nº 9.019, de 13 de junho de 1995. A regulamentação irá permitir que medidas antidumping ou compensatórias já em vigor aplicadas pelo Brasil sejam estendidas a exportações de produtos, partes, peças e componentes de terceiros países, quando a comercialização destes bens esteja frustrando a defesa comercial.

Conforme explicou o secretário-executivo da Camex, Helder Chaves, durante entrevista coletiva realizada ao final da reunião, as medidas de defesa comercial não eram aplicadas nestas operações, o que acabava por neutralizar os seus efeitos de eliminar o dumping e de permitir a recuperação da indústria doméstica em relação ao dano sofrido.

Triangulação

Até então, o Brasil não possuía uma regulamentação específica contra estas práticas elisivas, também denominadas de circumvention ou triangulação. Trata-se de casos em que, após aplicação de medida corretiva contra um determinado país, verifica-se a revenda do produto objeto, com pequenas alterações, procedentes de outros países. Estas práticas também dizem respeito a situações em que ocorre a mera montagem, em terceiro país, com partes, peças ou componentes do país sujeito à medida de defesa comercial ou ainda quando esta mera montagem seja realizada no Brasil.

É importante ressaltar que, para comprovar estas práticas elisivas, é necessário que haja alteração nos fluxos comerciais após o início do procedimento que resultou na aplicação de medida de defesa comercial. Também terá que ser demonstrado que o preço de importação do produto associado ao volume importado torna a medida comercial sem efeito. Além disto, no caso de dumping, o preço do produto exportado ou comercializado para o Brasil deve ser inferior ao valor normal apurado na investigação que embasou a medida antidumping.

Publicação

A resolução da Camex, que deve ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) nos próximos dias, irá definir ainda que não serão configurados como prática elisiva os casos em que haja agregação de valor superior a 25% do custo de manufatura. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) deverá publicar portaria ou circular sobre a matéria com normas complementares sobre procedimentos, prazos, conteúdo da petição inicial, etc.

Outros países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) que já utilizam mecanismos anticircumvention são: África do Sul, Albânia, Argentina, Armênia, Bulgária, China, Colômbia, Comunidade Européia, Egito, Equador, Estados Unidos, Estônia, Japão, Lituânia, Malásia, México, Moldávia, Panamá, Paquistão e Turquia.

(aspas)

Por : André Diniz, da Assessoria de Comunicação Social do MDIC, 17/08/2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Greves e câmbio fazem múltis rever estratégia para a China

Ásia: Conflitos trabalhistas, porém, não devem provocar fuga de empresas

 

Os conflitos trabalhistas na China estão levando multinacionais a rever suas estratégias de operação, mas é improvável que as levem a migrar seus negócios do país, pois os custos totais devem continuar baixos, dizem executivos.

Uma valorização significativa do yuan também poderá encarecer os custos de produção, porém o crescimento do poder de compra dos chineses será positivo, em mais longo prazo, segundo executivos que conversaram com a Reuters.

Greves nos últimos meses prejudicaram a produção em fábricas na China que suprem grandes empresas estrangeiras, como as montadoras japonesas Toyota e Honda.

A cervejaria dinamarquesa Carlsberg e o conglomerado industrial americano Ingersoll-Rand também foram afetados por greves de uma força de trabalho chinesa mais assertiva - provocando temores de que as companhias multinacionais terão de arcar com custos salariais mais altos, prejudicando os lucros no longo prazo.

"É um item muito importante, que estamos monitorando atentamente", disse Dave Anderson, diretor financeiro da indústria americana Honeywell International.

"O que realmente continua recomendando a China é flexibilidade, o que conta ao escolhermos os melhores lugares do mundo para a indústria de transformação."

Entre as medidas tomadas pelas empresas para atenuar o impacto estão ampliar a proporção de gerentes locais e a substituição de trabalhadores por máquinas, sempre que possível.

"Esse é um problema difícil, mas é uma área coma qual administradores japoneses não tem como lidar", disse Nobuyuki Sugano, chefe de operações chinesas da japonesa Sharp.

"Nossos custos de mão de obra são uma pequena parte de nossos custos totais - matérias-primas são um fator mais importante para nós. Mas, uma vez que os custos de mão de obra estão aumentando, planejamos usar uma produção mais automatizada e semiautomatizada para melhorar a eficiência."

Analistas dizem que os custos trabalhistas, mesmo com as greves, estão em uma tendência ascendente, mas é improvável que tirem a China da posição dominante na exportação de manufaturados, pois os custos de mão de obra continuam a ser uma fração do custo dos produtos lá fabricados.

Os salários na China não devem subir mais de 10% e o impacto nos lucros é considerado mínimo porque os custos salariais representaram apenas 2% dos custos totais de fabricação no país, segundo Yoichi Hojo, diretor financeiro da Honda.

Junzo Nakajima, chefe das operações de TI da Hitachi, maior fabricante japonesa de eletrônicos, disse que os custos de produção na China são um fator para consideração no longo prazo.

"Neste momento, não acredito que subirão em torno de 10% ao ano, por isso é uma questão de médio e longo prazos". O grupo Hitachi tem cerca de 50 a 60 fábricas na China.

Ainda assim, as greves enfatizaram a necessidade de melhorar as relações com o operariado local, disseram os executivos.

"Mudar o funcionamento da cadeia de suprimentos ou qualquer outra coisa não enfrentará a questão fundamental", disse Atsushi Niimi, vice-presidente-executivo da Toyota. "A coisa mais importante que podemos fazer é nos assegurar de que temos um sistema que estimula boa comunicação entre trabalhadores e administração."

Alguns executivos viram as greves como parte do desenvolvimento econômico chinês e disseram que os salários dos operários contribuirão para o consumo de combustível, beneficiando a economia mundial.

"As recentes greves significam que os padrões de vida estão melhorando", disse Nakajima, da Hitachi. "A China teve um papel importante na redução dos custos de produção e também tem sido um grande mercado, mas [os recentes desdobramentos] podem ser vistos como parte do processo mediante o qual o país vai se tornando um mercado mais atraente."

(aspas)

 

Por : Dhara Ranasinghe, Reuters, de Cingapura, para o  Jornal “Valor Econômico”, 18/08/2010

 

Indústria aumenta importação de insumos

Comércio exterior: Setores mantêm projeções para a produção local

 

 

O aumento da importação de matérias-primas, componentes e peças pela própria indústria ajuda a explicar o forte aumento da importação em 2010. Fabricantes de eletroeletrônicos, bens de informática e têxteis, entre outros setores, ampliaram a compra de insumos de outros países como um mecanismo de compensação de custos e também pela própria dependência do seu produto do insumo ou peça importada. Nos últimos meses, explicam os empresários, a importação cresceu ainda mais para formar estoques para a produção destinada às vendas de fim de ano.

Em Pernambuco, a fabricante de computadores Elcoma já está importando 30% mais componentes do que no segundo trimestre. Parte da alta é explicada pelo ritmo de produção, que cresce 20% no mesmo período, puxado pelas encomendas de fim de ano. Cerca de 60% dos componentes utilizados pela empresa vêm de fora, especialmente da China.

Um estoque de componentes acima do considerado normal para o período foi justamente o que acusou a sondagem do mês de julho da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Esse estoque foi verificado em 25% das empresas pesquisadas. Segundo o gerente do departamento econômico da associação, Luiz Cezar Rochel, trata-se de uma "tendência discreta" e que não causa preocupação. Segundo Rochel, o estoque pode ter sido ocasionado por bons preços ou talvez seja apenas a preparação para a continuidade da produção. O setor, informa, mantém a perspectiva de aumento do nível de produção, com ampliação de 12% de faturamento em relação a 2009, a mesma estimativa que se tinha no começo do ano.

O diretor executivo da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Flávio Dutra, também enxerga um segundo semestre com produção crescente na Zona Franca de Manaus. Segundo ele, as encomendas de agosto para o abastecimento do comércio para o fim do ano já se iniciaram e prometem fazer o setor cumprir a meta de faturamento de US$ 32 bilhões ou "até US$ 33 bilhões" em 2010. No ano passado, a receita bruta foi de US$ 28 bilhões. No primeiro semestre, diz, a Copa do Mundo impulsionou o mercado interno e a indústria não foi capaz de atender todos os pedidos.

No Piauí, a fabricante de bicicletas Houston também está importando mais: 40% em relação a 2009. A alta está em linha com o crescimento da atividade industrial e com o volume de encomendas para o segundo semestre, que concentra 70% do faturamento. De acordo com seu diretor comercial, Adilson Custódio, a Houston traz da China pouco mais da metade de todos os componentes que utiliza na fábrica de Teresina, Piauí, de onde saem 5,5 mil bicicletas por dia. Os principais itens importados são freios, correntes, cubos e câmbios.

Apesar do aumento de importações de produtos têxteis, o setor ainda não sente impacto nos níveis de produção. "O aumento da presença de produtos acabados preocupa, mas não chega a machucar", avalia o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintex), Ulrich Kuhn. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Associação Brasileira de Indústrias Têxteis e de Confecção (ABIT), de janeiro a junho deste ano entraram no país US$ 2,28 bilhões de produtos têxteis no Brasil contra US$ 1,8 bilhão no mesmo período de 2009.

O presidente destaca que mesmo com o crescimento das importações a indústria têxtil local atravessa um bom momento. "Nunca estivemos tão aquecidos", diz. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) foram gerados 67 mil empregos no setor na primeira metade do ano. Segundo Ulrich, a importação também se tornou uma estratégia da indústria brasileira para compor portfólio e buscar maior competitividade no mercado. "Toda a grande e média indústria importa matéria-prima para equilibrar o câmbio ou para complementar mix e ser competitiva", diz o presidente.

Para Sonia Hess, presidente da indústria de camisas Dudalina, de Brusque, o importado ainda não é um competidor forte no segmento em que ela atua. "As nossas três marcas estão focadas no público A e B. A camisa importada é, em maior volume, um produto mais barato que não concorre com o nosso", diz.

Sonia diz que a Dudalina vai ao exterior em busca de matérias-primas para complementar o mix e muitas vezes elas são mais baratas. Ela avalia que o segmento de tecidos planos, que demanda grandes investimentos, ficou defasado na comparação com o competidor estrangeiro. Para a Dudalina, o primeiro semestre deste ano foi melhor do que o de 2009. A empresa contratou 150 funcionários até agora e trabalha com 100% de ocupação. "O segundo semestre começou meio de lado, mas está reagindo", disse. A presidente espera atingir R$ 170 milhões de faturamento em 2010, um crescimento entre 17% e 20% na comparação com o ano passado.

A pernambucana Elcoma também elevou substancialmente a importação de peças para revenda, como HDs, processadores, memórias e leitores e cartão. Seu presidente, Júlio Gil Freire, afirma que as condições de mercado para essas operações estão muito boas.

(aspas)

 

 

Por : Murillo Camarotto, Júlia Pitthan e Marta Watanabe, de Recife, Florianópolis e São Paulo, para o Jornal “Valor Economico”, 18/08/2010

Em retaliação aos EUA, México deve elevar tarifa sobre 99 produtos de importação

O governo mexicano divulgou hoje (18/8) uma lista de 99 produtos norte-americanos que terão as tarifas aumentadas, em retaliação à proibição de caminhões mexicanos em estradas dos Estados Unidos. As taxas variam de 5% a 15% e se aplicam a produtos como queijos, frutas, vinho, papel higiênico, suínos, milho e alguns manufaturados.

 

A retaliação veio após Washington cancelar um programa – lançado durante o governo George W. Bush – que previa a entrada gradual de caminhões mexicanos nos EUA, o que atualmente é proibido por motivos de segurança. Conforme prevê o Tratado de Livre Comércio entre México e EUA, a circulação de caminhões deve ser livre.

 

Empresários norte-americanos reclamam que a medida mexicana afetará milhares de empregos, enquanto políticos em Washington pedem para que o governo acabe com o impasse. "Estamos desapontados que o México tenha colocado taxações adicionais nos produtos norte-americanos", afirmou à agência Reuters o porta-voz do Departamento da Agricultura dos EUA. "Trabalharemos com o Congresso para resolver esse problema."

Para Dan Ikenson, da revista Forbes, o México está com a razão: “Os custos econômicos e políticos da retaliação mexicana sugerem que alguém terá de ceder. Pelo cenário atual, os mexicanos têm razão ao aumentar a temperatura da situação”, escreveu.

 

Mercado

 

As ações ligadas ao setor suíno subiram fortemente ao longo das últimas duas semanas na bolsa de valores de Chicago, refletindo a preocupação com as tarifas mexicanas. Em 2009 o México era o segundo maior importador da carne de porco norte-americana e comprou cerca de 400 mil toneladas de porco, ou 22% do total das exportações norte-americanas, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

 

(aspas)

 

Por :  Marina Terra, da Redação do Portal “Opera Mundi”, 18/08/2010

 

 

Chapa grossa: Usiminas pede ação contra importações

 

A entrada desenfreada de aço tipo chapa grossa no mercado interno, oriunda de diversos países, levou a Usiminas a solicitar ao governo que analise a abertura de um processo antidumping contra o material importado. Após uma série de estudos sobre o impacto do aço estrangeiro sobre os negócios da siderúrgica mineira, o pedido foi entregue ao Departamento de Comércio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Sérgio Leite, vice-presidente de negócios da Usiminas, confirmou ao Valor que o pedido atinge chapa grossa de sete países - Rússia, Coreia do Sul, México, Espanha, Taiwan, Romênia e Turquia. "Demos o primeiro passo, com entrega de amplo estudo de entrada de material de 2006 a 2009; agora, vamos aguardar a análise e o parecer final do Decom", afirmou.

Até junho, segundo dados do Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as importações de chapa grossa atingiram 220 mil toneladas, 34% superior ao de igual período do ano passado, e isso já preocupa técnicos do banco, conforme reportagem do Valor. Esse volume é mais da metade do total vendido no mercado nacional pela Usiminas de janeiro a julho - 410 mil toneladas, conforme dados do balanço financeiro da empresa.

A medida já começa a inquietar os distribuidores independentes de aços planos do país. "Agimos como reguladores do mercado, uma vez que a Usiminas prioriza o grandes consumidores de chapa grossa e pratica o preço de venda desse produto mais elevado do mundo", afirma um executivo de uma empresa.

O preço da Usiminas, informa, é de R$ 2,23 mil a toneladas, incluindo PIS Cofins, mas sem frete, ICMS e IPI. "Esse valor é cerca de 15% superior ao preço da chapa grossa importada e internada no mercado interno", explica. "Até as siderúrgicas locais estão importando para atender seus clientes".

Segundo Leite, a empresa analisou vários aspectos de impacto na indústria nacional de aço, como forte queda de vendas e capacidade de ocupação das linhas de produção e retração nos empregos. "A partir da eclosão da crise mundial, houve expressivo aumento de aço importado, lastreado por preços baixos", diz.

Nos estudos feitos pela empresa, informa o executivo, foram constatados indícios de prática de preços abaixo do custo de produção nas siderúrgicas dos países-alvo do processo. Além disso, acrescentou, o câmbio brasileiro (segundo maior valorizado do mundo) é um fator de incentivo à importação, bem como a alta carga tributária e gargalos logísticos. "E isso encarece nossa produção e tira a competitividade do setor".

Conforme apurou o Valor, a medida visa atingir principalmente material oriundo de Rússia e Coreia do Sul. De acordo com distribuidores, esses dois países tem produtos com alta qualidade. Algumas usinas desses países, informadas da iniciativa de abertura de processo, já estariam suspendendo vendas do produto.

"Não somos contra a livre competição, mas desde que seja saudável, sem práticas desleais de concorrência no mercado", rebate Leite. Segundo ele, a indústria do aço não é a única que enfrenta uma enxurrada de produtos importados. Um exemplo é o setor de autopeças, atacado por material chinês.

Nas linhas de chapa grossa - uma fábrica em Ipatinga (MG) e outra em Cubatão (SP) - a Usiminas opera com ociosidade maior que a de outras linhas, voltadas para automotivo e linha branca. O produto é aplicado no setor naval, de óleo e gás (plataformas, gasodutos) e em máquinas agrícolas.

(aspas)

 

Por : Ivo Ribeiro, de São Paulo, para o Jornal “Valor Econômico”, 13/08/2010

 

Saiba como as empresas justificam o alto preço dos videogames no Brasil

Consoles que custam US$ 300 nos EUA custam até R$ 2 mil no país. Fabricantes culpam impostos; IPI sobre os videogames chega a 50%.

O lançamento do PlayStation 3 no Brasil na quarta-feira (11), quase quatro anos após a chegada do videogame da Sony ao mercado norte-americano e japonês, pode ser comemorado por conta de, finalmente, o país ter a presença oficial dos três consoles da atual geração. Entretanto, o preço do aparelho, R$ 2 mil - nos EUA, o mesmo produto é vendido pelo equivalente a R$ 530 - levanta a velha questão que há anos vive na cabeça dos gamers brasileiros: por que os videogames são tão caros por aqui?

Empresas como Sony, Nintendo (Wii) e Microsoft (Xbox 360) trazem consoles que custam, em média nos Estados Unidos US$ 200, por mais de R$ 1.500 no Brasil.. A justificativa dada por todas é que o que eleva o preço dos videogames no Brasil é a alta carga tributária praticada por aqui.

Consoles       Preço nos EUA (média)       Preço oficial no Brasil (média)

PlayStation 3 (120 GB)       US$ 300        R$ 1.999

Xbox 360 (Arcade)   US$ 130        R$ 1 mil

Nintendo Wii US$ 200        R$ 1.200

Como os videogames são produtos importados, as empresas devem pagar uma série de tributos para que o produto possa entrar no Brasil. De impostos federais, são cobrados imposto de importação, Pis, Cofins, e IPI (imposto sobre produtos industrializados), que somados com o ICMS estadual, faz com que os videogames tenham 164% do seu valor taxado em impostos.

De acordo com a Receita Federal, toda a mercadoria que entra por importação no Brasil deve ser classificada conforme uma nomenclatura universal. Na Norma Comum do Mercosul (NCM), o videogame possui a classificação fiscal de número 9504.10.10, o que permite à Receita calcular o imposto sobre o aparelho.

         Videogame

Classificação fiscal   9504.10.10

Imposto de importação      20%

Pis      1,65%

Cofins 7,60%

ICMS (Estado de SP)  25%

IPI      50%

Substituição tributária       Sim

Quando uma empresa traz um videogame para o Brasil, ela deve pagar, sobre o valor do produto, 20% de imposto de importação, 1,65% de Pis, 7,60% de Cofins, 50% de IPI e mais 25% de ICMS caso o produto entre pelo Estado de São Paulo – cada Estado possui um valor de ICMS.

Com estas tarifas, um produto que custa R$ 100 acabará custando R$ 264, com 164% do seu valor em impostos. De acordo com a Receita Federal, essa série de impostos que são cobrados para trazer produtos importados visa manter uma “competição saudável” entre as mercadorias nacionais e estrangeiras.

Ainda, para conseguir chegar ao valor no qual o videogame é comercializado oficialmente no Brasil, é necessário levar em conta outros custos que Sony, Microsoft e Nintendo pagam. Existem valores da operação de importação, que envolve embarcar produtos em navios e trazer para o país, o valor aduaneiro, seguro, custo da manutenção das lojas e margem de lucro para os lojistas.

         Formação do preço

Venda líquida do produto    R$ 100

Pis      R$ 2,51

Cofins R$ 11,56

ICMS   R$ 38,02

IPI      R$ 76,05

Substituição tributária       R$ 35,90

Venda com impostos R$ 264,0

Segundo Marcos Khalil, dono da rede de lojas especializadas em games UZ Games, a margem de lucro praticada no Brasil para a venda de consoles varia entre 9% e 11%. "Para o console essa margem sempre foi apertada, mas isso é um padrão mundial", disse. Para jogos, a margem sobe para 27 e 30%. Para fechar o valor do videogame, ainda deve ser levado em conta o valor do dólar na conversão no dia.

As fabricantes de consoles podem subsidiar a venda do aparelho, para lucrar com a venda de jogos. Durante o lançamento oficial do PlayStation 3 no Brasil, Anderson Gracias, gerente da divisão PlayStation no Brasil, afirmou que a Sony está cobrindo parte do custo do aparelho."Os impostos prejudicam o consumidor final, que estará pagando todas essas taxas", diz Marcos Khalil. "O governo já percebeu que isso está errado e existem iniciativas para mudar essa realidade".

(aspas)

Por : Gustavo Petró, do Portal “G1”, em São Paulo, 13/08/2010